REVISTA SOUL SURF

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Surfistas de todo o mundo sonham passar temporadas inteiras nas ondas da Indonésia e não foi diferente comigo e meus amigos Armando Natal, Fabio Moretti, além de Marcelo Teixeira e sua esposa Kaori, que vieram do Japão nos encontrar. Depois de uma cansativa viagem, passando pelos aeroportos de Rio, São Paulo, Johannesburg, na “África do Sul”, Doha, no “Qatar” e Kuala, na “Malaysia”, finalmente chegamos ao nosso sonhado destino; Bali, computando um total de 28h30min de vôo e 14hs de escala. Bali, também chamada de Ilha dos Mil Templos, oferece várias opções de hospedagens, desde hotéis 5 estrelas a Warungs – espécie de quiosque em frente às praias – que vendem bebidas, comidas, além de abrigar surfistas com menos possibilidades financeiras. Preferimos nos hospedar em Uluwatu, no hotel do surfista local Gobleg, que tem como gerente sua simpática tia Lisa, uma verdadeira mãe para nós. O Gobleg Inn fica próximo às principais ondas de Bali, entre a entrada dos Templos dos Macacos e a entrada de Uluwatu. Perto dali, também fazíamos nossas refeições, normalmente no Café Uluwatu Inday, um restaurante da melhor qualidade onde come-se muito bem por muito poucas rupias, a moeda local. Uma curiosidade sobre a cultura em Bali é que todo mundo tem o mesmo nome, diferenciando apenas o sobrenome. Assim, Wayan é o nome do 1° filho, Made é o 2° filho, Nyoman é o 3° e Ketut é o 4°.

Bali e suas ondas

Uluwatu é um reef extenso com as maiores ondas da região. Sua constância e perfeição atrai a maioria dos surfistas de Bali. A bancada de coral tem diversos picos – Temples, Bombie, Peak, Outside Corner e Racetrack, e mesmo com tanta onda, ainda assim é muito crowd. O lugar é um anfiteatro natural e tudo o que fizer na água estará sendo visto e fotografado por várias pessoas de cima do cliff. Ao lado de Uluwatu, seguindo em direção à Kuta, – centro nervoso de Bali repleto de lojas, restaurantes, hotéis e boates – encontra-se a mística praia de Padang Padang, onde quebra um incrível tubo para esquerda, mas que é raro dar as caras. É preciso um bom e grande swell com marés medianas para que a onda funcione de jeito. Os únicos que pegaram Padang na viagem foram o Armandinho e o Moretti. Nesse dia eu estava em Uluwatu, no maior mar que surfei em Bali, 12 pés plus, clássico! Depois de pegar minha melhor onda e passar várias seções, fui obrigado a sair pela praia de Padang por não ter mais braços pra voltar ao pico. No fim da bancada de Padang está Bingin, a onda com a formação mais perfeita de todas, um tubinho certo em cima de um coral super perigoso. A onda é muito parecida com a do canal de Guaratiba – RJ e fica boa até uns 5 pés. Passando disso, ela tende a correr por fora do reef. O ponto do drop é um só e o crowd de australianos é intenso, mas são os nativos Mega, Deko e Kadex que dominam as ondas. No Julie’s Warung, bem em frente ao pico, o fotógrafo Ego fica registrando tudo.

Outras ilhas

A “Indo” é o maior arquipélago do mundo, com mais de 18 mil ilhas. Sendo assim, programamos outras viagens além de Bali. Em Lombok nas Ilhas Gili’s realizamos o sonho de surfar apenas com os amigos em ondas de 4 a 6 pés perfeitas, num cenário paradisíaco. Essa região também é muito procurada por mergulhadores, afinal, corais, estrelas e muitos seres coloridos são facilmente vistos por lá. Foi a mais rica fauna marinha que já vi na vida! Além disso, a hospedagem e a gastronomia locais são um caso à parte. Vale a dica do aconchegante hotel Lumbung Cottage (www.lumbungcottage.com). Do hotel-restaurante Biru Meno (www.birumeno.com) na ilha de Gili Meno e das boates na Gili Travangan, ilha que é rota da maioria dos europeus de férias e onde fizemos nossa melhor noitada na “Indo”. De volta a Bali, corremos para agilizar a viagem para nosso novo destino: Grajagan, a famosa esquerda da ilha de Java. Negociamos a compra de algumas fotos com os fotógrafos de Bingin e Uluwatu e seguimos para o escritório Bobby’s Surf Camp (www.grajagan.com), do pioneiro em G-Land e dono de um ótimo surfcamp situado dentro da selva javanesa. Por US$ 460 compramos um pacote com direito a sete dias e seis noites e todas as refeições.

G-Land

Partimos em duas vans e, após de seis horas passando por estradas estreitas e um ferryboat, chegamos a uma colônia de pescadores de onde sai um speed boat para o camp. Mais duas horas de barco e finalmente chegamos ao nosso destino. Ficamos eletrizados com o visual: G-Land quebrando com 8 a 10 pés de onda mais que perfeitos! Nunca vi nada igual. Colocamos as bagagens no bangalô, tomamos nosso café e descansamos um pouco esperando o melhor momento da maré. Não demorou muito, Marcelo e eu já estávamos numa remada puxada de 20 uns minutos para nos deparamos com as melhores ondas que já vi na minha vida!

Foi uma viagem inacreditável. Todo dia café da manhã da melhor qualidade, cinco horas de surf na maré ideal, almoço show de bola e um pôr do sol espetacular com a toda a galera reunida escutando surf music e brindando com cervejas Bitang. Depois, era esperar a chamada do jantar, avisada por umamúsica instrumental hindu, e, em seguida, às 20hs, cama. A selva em G-Land é realmente fantástica. Ela chega até a beira da praia e tem animais de todas as espécies, desde cobras, macacos, esquilos, tatus, à pavões, dragões de cômodo e até tigres O informativo das ondas foi o seguinte:

Day 1 De Fan Palm até Fang, em Money Threes, com 8 a 10 pés clean, sem vento e sem final de tarde. Caminhamos em cima dos corais, onde cedo foi uma remada e tanto, com um por do sol atrapalhando a visão do line up. Encontramos o pernambucano Rodrigo Trajano voltando seco e dizendo que estava muito perigoso. Day 2 De Kongs até Fang, com 6 a 8 pés perfeitos e tubulares. Na água, Fabio Mobral, carioca que é o cozinheiro do Bobby’s Camp e surfista respeitado das antigas; Alex Bagus, carioca do Leme e expert em “Indo”; o paulista Sylvio Mancusi, o catarinense Everaldo Pato, Trajano e a nossa tropa. Day 3 Uma sessão em Kongs e outra sessão de Fan Palm até Fang, com 3 a 5 pés mais que perfeitos! Este foi o último dia de surf do Marcelo e ele pegou um tubaço. Day 4 Tigertracks 4 a 6 pés irretocáveis com sessões variadas. No line up, eu, Armando, Moretti, três locais, os paulistas Renato – pai – “que tinha ido a G-Land há 20 anos” e Gabriel – filho- e o carioca Guilherme. Day 5 Épico. De Fan Palm até Speedies com 8 a 10 pés punk! Peguei um tubo em pé, arrebentei o estrepe e nadei muito… Ufa.

Day 6 De Ledge a Speed com 4 a 6 pés na melhor direção possível. Peguei as duas ondas mais longas da minha vida. Day 7 Foi a despedida, com todos os funcionários do Bobby’s vindo agradecer a nossa estadia. Foi uma grande emoção. Da próxima vez voltarei com a minha família.

* Marcos Silva: Carioca local de Guaratiba-Bangu, 37 anos, sendo 26 de surf. Free surfer, sócio do SANSEI GUARATIBA – TIA PALMIRA e aficcionado por tubo! Lema de vida; Trabalhar para surfar as melhores ondas do mundo! 2009/2010

Agradecimentos: Joca Secco, wet works, Keto, super glass, AiT surf operadora e rubber stick.

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